quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Receio incerto

      Um abrir de olhos temporário deu, a Jennifer, a possibilidade de se ver perdida no meio da praia deitada à beira mar sem noção do que se tinha passado. Do nada Jennifer estava na praia, no outro instante estava ela amarrada a uma cama num armazém sem luz e sem metade do tecto. Jennifer sentia-se anestesiada mentalmente, não conseguia pensar, só sentia a adrenalina a estremecer a sua camada fina de pele do pânico e do medo por estar num local desconhecido.
      De repente um barulho semelhante a passos lentos. Jennifer piscava os olhos sem parar à procura de descobrir quem era, mas tudo o que via era um Vulto. Um toque despertara o pior medo e desespero de Jennifer. O Vulto começara a tocar-lhe, de uma forma possessiva e sem esconder uma sagacidade denominadora perante a sua vítima, pela perna a cima. Jennifer mostrava um olhar terrificado e começara a gritar do fundo dos pulmões, mas tudo o que obtinha do Vulto era um prazer sem fim e sádico. Um escarro de sangue fora disparado da boca de Jennifer contra o Vulto e tudo o que recebera foi um beijo carnívoro. Mas a atitude do Vulto começava a dividir-se entre o desejo sádico de tocá-la e o desejo maníaco de a devorar.
      Do nada, o Vulto parou de lhe tocar, apenas lhe olhava fixamente para os olhos até ao momento que partiu um copo na cadeira onde estava sentado e começara a pressionar um vidro partido na coxa de Jennifer até esta mesma perder as forças de resistir e perder-se em si e a desejar que não fosse a pessoa que ela mais precisava naquele instante.
      No entanto, quando Jennifer já se sentia a morrer em cobertores ensanguentados pelo seu próprio sangue, começara a ouvir uma voz longínqua desesperada: «Amor, Amor!». Ela reconhecia aquela voz, o seu Johannes chamara por ela. «Acorda Jennifer! Eu estou aqui, não tens de ter medo de nada! Eu não te abandonarei!». Foi então que o seu maior medo dissipara-se.

sábado, 20 de agosto de 2011

Esvaziado em esquecimento

«Tique-taque. Tique-taque.» era o ruído de fundo que passava despercebido a Jennifer.
«Fugiste. Correste. Fugiste. Correste. Partiste.» pensava Jennifer sem tirar o olhar do relógio solitário. Tinha apenas fixado o movimento dos ponteiros que apenas tiravam o tempo da sua vida, sem nunca dar, apenas a parar e a marcar virgulas na vida. Nunca pontos, pois a vida era algo contínuo que nunca mudava de tema. Um fio condutor percorria todos os assuntos e momentos. Havia algo comum entre cada fase da sua vida.
De repente algo parou. Algo mudou. O relógio tinha parado. Jennifer encontrava-se caída. Nada pensava, nada ouvia. O fio condutor tinha acabado. O coração de Jennifer tinha acabado de dar a última batida e estagnara-se em puro vazio. Tudo o que fora futuro era agora passado.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O amor nunca morre

Michael Kraft era um jovem adulto de 26 anos demasiado sério e exigente com a sua vida, tudo o que era demasiado fácil e dado fazia Michael duvidar da verdade de tais cousas. Não aceitava qualquer erro que cometia, tudo tinha de estar bem, tudo tinha que correr como planeado. Michael culpava o seu passado por o tê-lo feito assim. Culpava como quem diz, pois Michael agradecia por ter os princípios que tinha, visto que este era ajuizado e demasiado responsável.
Mas algo se passava com Michael. Ele nunca se tinha dado a conhecer totalmente a alguém, nunca tinha falado do seu passado assombrado e que reencarnava medos nele próprio. Ele sempre fugiu do amor para se defender e para não se lembrar de todo o sofrimento que lhe escorreu nas veias durante todo o tempo desde que nasceu.
Um dia, enquanto tentava organizar os seus pensamentos, a descer o seu prédio, embateu numa vizinha nova que se estava a mudar para um apartamento no seu prédio, fazendo com que a caixa que a jovem transportava caísse e deixasse o seu conteúdo aguar-se pelo chão frio do prédio. Michael, antes de pedir perdão pelo sucedido, começou logo a arrumar o caos que tinha causado. Mas algo lhe prendeu a atenção quando apanhou um livro do chão. "Abre o teu coração" era o titulo do livro, ficou imóvel a olhar para o título, do nada começara a sentir uns calafrios a petrificar-lhe o corpo e todo o seu desejo foi transportado pela sensação de um dia ser feliz junto a alguém.
A jovem sem saber o que se passava e sem saber o que dizer, rematou algo impensado:
- O amor nunca morre.
Michael ouvira o que a jovem dissera, mas não sabia que responder, tudo aquilo parecia levar eternidades.
- Hãn?! Desculpe?
- Hmm... Hmm... Peço des-desculpa... - A jovem não sabia que dizer, todas as palavras se atropelavam uma à outra, tinha dito algo que parecia disparatado, mas que de facto tinha explicação. - Peço desculpa se não me dei bem a entender. Mas a frase que citei é uma frase que aparece no final e, que no meu ponto de vista, resume esse livro, além de ser uma frase que marca qualquer pessoa. Se quiser posso emprestá-lo para ler.
- Peço desculpa por ter causado este caos. Aliás, peço desculpa por ainda não me ter apresentado. Chamo-me Michael, prazer.
- Stefanie, mas trate-me por steffi. Sou nova aqui nesta cidade.
- Se precisar de um guia ou ajuda em algo que possa ser útil avise-me, o meu apartamento é o zero seis. - proferiu o número do seu apartamento como se nunca tivesse dito antes, talvez porque Michael não fosse muito dado a levar pessoas para o seu apartamento.

Steffi era uma jovem de 25anos de cabelos castanhos alourados e de olhos cor de couro e de esmeralda preciosa. O seu movimento era agilmente suave, o seu olhar delicado, mas perceptivo, e a sua forma de ser que mostrava era demasiado serena para se acreditar.

E tudo o que não sabiam é que aquele acontecimento bastara para entrelaçar os seus destinos. Pois, passado uns anos, já não existia o zero seis, em vez disso, existia uma vivenda com um letreiro em bronze que indicava ser a Vivenda Kraft, onde Michael perdia-se com o mel dos olhos de Steffi a percorrerem a nuvem de tensão da paixão entre os dois.
Tudo era diferente. Nada era igual. Michael combatera todo o seu passado ao lado de alguém que lhe apoiou e o conheceu por si própria. Michael tinha encontrado o seu verdadeiro eu junto de alguém. Michael voltara a ser a pessoa livre e tranquila de quando veio ao mundo e viu a sua mãe pela primeira vez.
Michael era feliz até saber que o seu apelido não era Kraft, que não tinha 26 anos e que afinal só tinha acabado de sair de coma devido à sua falta de sorte. Mas algo permaneceu.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Algures no vazio

Mergulho em pensamentos. Um cheiro a cloro inala-me o olfacto, havendo posteriormente um rasto da maré salgada dos sonhos quebrados. Do nada uma rocha, uma quebra da continuidade do pensamento. Após isso, apenas pensamentos sem nenhum fio condutor. Pensamentos aleatórios, sonhos anormais, ideias sem fim.
Um som sem sentido invade-me a mente, é o som da vida real, de tudo o que me rodeia. Um caos à minha volta. Esqueço de novo esse som e mergulho inteiramente em mim. Todos me olham como se estivesse perdido. Não sei onde estou fisicamente, só mentalmente. Um olhar perdido em nada, e um movimento fora de mim. Perguntam por mim. Nada lhes respondo, afinal de contas nunca estive ali. Desperto para a vida real num salto que me põe a respiração ofegante. Deixo de me sentir, perdido mais uma vez em nada.

O cheiro

Silêncio absoluto. Engulo em seco a minha saliva. Suspiro. De novo a sombra do silêncio. É de dia. Vejo a lua. Um beijo. A luz da lua transforma o beijo em cheiro. Cheira a perfume. Lembro-me de rosas. E repete-se o silêncio que ecoa pelas paredes do meu corpo. O silêncio é interrompido pelo barulho do sangue a ser bombeado pelo meu corpo. Oiço um ruído de fundo. A tua respiração ofegante atrai-me imenso. Toco em ti. Uma pinga do teu suor percorre-me o braço. Será um cheiro que nunca irei esquecer. Não me esqueço de detalhes. Talvez da falta de alguns detalhes. Uma pergunta ocorre-me. O silêncio deixa a resposta em branco. De novo o vazio. Com cheiro.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Interior inexistente

Gritei até deixar de me ouvir. Não gritei por querer, gritei por necessidade. No entanto, nunca cheguei a ouvir-me. Grito e grito, e oiço tudo menos a minha voz.
Vozes perdidas nos labirintos dos meus pensamentos. Diz-me que não sou eu que estou a pensar. Diz-me que não existo. Faz-me entender que não comando a minha vida.
Podia ser que, assim, talvez compreendesse melhor a vida. Talvez, talvez...
As lágrimas que caem não são minhas, nunca perdi uma lágrima, foi a chuva que me inundou. A simples chuva.

domingo, 17 de abril de 2011

Permanente desconhecimento

Sou cego, porque tenho olhos. Mudo, porque vendi palavras. E surdo, porque me tranquei neste quarto.
Morto me encontro aqui deitado na cama desfeita e no caos que me rodeia. Quero um significado.
Houve um dia que me chamaram de fraco. Fiquei sem palavras, pois passei uma vida inteira a lutar a mancha negra dentro de mim e a conformar-me com a dor do consumo do sofrimento. Sinceramente, gostaria de ter sido fraco...
Agora oiço o piano dos meus ouvidos e o violino dos meus dedos, está tudo desincronizado. A vida deixou de ser possível de sincronizar. Dor eterna.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um olhar perdido em desconhecido

Lanço um olhar no horizonte longínquo. Perfez um caminho, um caminho virtual perdido. Baralham-se duas órbitas em círculos atados. Órbitas embaraçadamente desatadas. Sombras dos caminhos entrelaçados.
Uma gota roxa misturada em pó deixado num lugar abandonado. Memórias tristes. Não se percebe o conteúdo.
Sentado numa poltrona solitária verifica-se a ausência de vida. Vida oculta. Por um ocular se invade o invisível desconhecido. O desconhecido, depois de se conhecer, não deixou de ser desconhecido. Incógnita permanente.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Solução saturada

Já não sei o que fazer nem dizer, parece que entrei em modo automático. Se não fosse o cansaço que transporto fisicamente, todos diriam que não passava de um robô.
É esgotante fazer a vida sem quase substância nenhuma. Difícil.
Por vezes, dou por mim a caminhar pela longa rua e sinto-me desencaixado, sem ninguém ao pé que me reconfortasse. Na maioria do tempo perco-me dentro do meu mundo interior, mas existem vezes em que tento encontrar estrangeiros que falem alemão e me façam sentir fora deste país.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Destruição da circunferência

Esmaga-se um fio de carne na esquina. No outro beco julgava-se apenas enforcar. Este sangue que percorre as descidas das estradas da cidade, tudo se encontra no mesmo ponto. Ponto de porcaria. É a comunidade do desenterro. Ódio é uma palavra minúscula ao lado do meu sentimento. Dores de ouvir falar. Excesso de excrementos de raiva.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A chuva não anda, corre.

Quando não se consegue algo só de uma vez, passamos a fazer as coisas pouco a pouco. De que valia uma vida cheia de sentimentos sem racionalizar? Seria masoquismo sem limites.
Nunca é tarde, mas quanto mais tarde, mais serão as coisas que não conseguiremos emendar até serem incontáveis. Pura realidade da vida.
Saudades de quando tudo era mais fácil de perceber ou, então, no caso de não se perceber era porque não havia explicação. Mas tudo mudou, hoje em dia quando não percebo algo corro atrás de possíveis explicações e acabo por desesperar sem uma boa justificação. Não custa nada recordar, mas faz-me doer o coração.

domingo, 13 de março de 2011

Heartless

Vou à casa de banho, preciso de lavar as mãos. Necessidade inconsciente. Dou duas pancadas no pacote do sabonete. Espalho pelas mãos antes de por na cara. Acho que é de leite e mel. Lembro-me das abelhas com os seus ferrões vingativos que têm consequências. Espera, o dia está a escurecer e o espelho acabou de embaciar. Um cheiro a ferrugem inala-me o nariz. Olho para as minhas mãos a limparem-se uma à outra automaticamente e reparo que já não tenho sabonete nas mãos, em vez disso tenho sangue. O teu sangue. Olho para o lavatório e vejo a água, que escorre pela torneira, a alterar a sua cor transparente lúcida para o vermelho do teu sangue. Restos da tua pele esfolada acompanham os movimentos circulares do teu sangue. Apetece-me entrar em pânico, mas fico petrificado com uma sensação de alivio pela vingança cometida. Tento lavar o teu sangue das minhas mãos. Não sai, é tinta. Quem me dera que fosse tinta, mas não posso iludir-me. É o teu sangue que já tive a oportunidade de sentir e saborear sem nenhuma violência.

sábado, 12 de março de 2011

Fissuras

Sinto o meu batimento cardíaco a acelerar de forma irregular. Olho para todo o lado desconfiado. Eu sei que estás aí, diz-me algo. És mesmo tu? Vi-te há dois dias atrás. Perturbou-me o facto de estar a ver-te vivo. Ontem estavas no caixão e ela chorava desesperada a perguntar-te porque tinhas de partir. No funeral eu respeitei-te e foi por isso que me calei e tentei não dizer uma única palavra, não era uma despedida, mas sim uma mensagem de apoio para seguires em frente. Desculpa, não aguentei. Quando a vi a desesperar e a engolir-se a si própria vi a minha própria dor, que transporto estes dias todos, a ser exposto por outra pessoa. Caiu-me três lágrimas. Por ela, por ti e por mim. Dói ver alguém a ser consumido pelo sofrimento quando nós próprios já fomos completamente consumidos.
O meu batimento regularizou-se. Agora sinto calafrios a subir-me espinha a cima. O meu respirar parece o vento que bate contra a janela todas as noites. Sinto o sangue a circular por dentro de mim, parece aquecer a minha pele que tenta esfriar. Sinto-me a evoluir. Apenas sinto. Gostava de saber se estou mesmo.
Gostava de descalçar este peso eterno. Mas é impossível, não consigo descalçar coisas que são eternas. Nada é eterno.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A fuga à pré-vida

Numa cidade, onde as pessoas só sabiam especular sobre a vida dos outros, um rapaz escrevia os seus momentos, tristezas e etapas da vida, saberia que se continuasse assim nunca mais iria parar de escrever tudo o que se passava à sua volta e lhe «flechasse» em cheio. Pegou nos papéis, alinhou tudo e, quando estava prestes a guardar, cai-lhe, de repente, uma gota de sangue que parece integrar-se naquele papel, o papel começa a despedaçar-se folha a folha, deixando-a em pedaços minúsculos. Uma forte brisa entra pela janela e espalha todos aqueles pedaços de papel, levando alguns consigo.
O rapaz ajoelha-se e, perdido no vazio, não sabe no que pensar. Nesse momento, todos os detalhes lhe saltam à vista, o tic-tac mais forte do relógio da parede, o tic-tac mais agudo do relógio de pulso, o piscar das horas na aparelhagem por concertar ainda. E é assim que passa mais um dia da sua vida no vazio.
Quando se levanta só deseja sair dali, fugir dali e nunca mais regressar, mas, contrariando um pouco o seu desejo, pega na sua agenda e abre-a pela contracapa, lê o titulo da página "Notas", nesse mesmo instante pega na caneta e risca a palavra escrevendo em baixo "Ódios". Repensa no que escreveu e começa a sentir algum arrependimento, pensa que ódios é uma palavra desnecessária e que existem palavras melhores, mas continua o que estava a fazer e escreve a lista. Quando acaba de escrever a lista, o rapaz relê. A lista começa com a palavra "aqui", passa por "esperar" e acaba com "arrependimento". Sente-se satisfeito por desabafar indirectamente, mas, subitamente, floresce-lhe uma certa angústia e raiva naquilo que acaba de escrever. O rapaz rasga a folha da agenda e machuca-a. Não quer deitá-la para o caixote do lixo, pois tem medo do destino que ela possa ter. Em vez disso, queima-a e enterra as cinzas no quintal. Olha para o céu e pede, silenciosamente, chuva. Não chove. Já era de esperar.
O rapaz, agora em casa, a olhar pela janela, despede-se antecipadamente da sua vida naquele local.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Zero caminhos articulados.

Um desvio paralelo à minha desordem. Dois destinos nas periferias das esquinas obscuras. Três ponteiros a circularem num movimento uniformemente irregular. Quatro pedaços envenenados por espinhos ensanguentados. Cinco badaladas distorcidas pelo fim. Seis paredes encaixadas a cobrir o vazio. Sete sombras a distribuir medos. Oito hematomas internos em cavidades cicatrizadas. Nove alucinações fatais arredondadas. Dez mortes psicológicas instantâneas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Chovem as preocupações stressantes em mim.

Largas tamanha criatura em duvidosa terra. Sabes as consequências disso? Ninguém sabe. Ninguém percebe.
Uma reles cambada de monstros rastejantes que marcam os caminhos que percorrem com a sua própria porcaria. Com isso, quem ainda não foi marcado? Pura alma que nunca erraste e, por consequência, também não evoluíste. Deixa estar. A vida reservou bilhetes para todos. Isto não passa da pura realidade que passa pelas vossas entranhas sujas de pecados. Ardei-vos em vossas próprias chamas criadas, ouvindo a simples frase "É a vida.". Dói, não dói? De que valia sofrer sem doer? É a vida.
Esta inquietação que me sobe espinha a cima e consome toda a minha crença que eu próprio duvidava. Queria tanto voar em plena terra, nadar em plenas chamas e andar em plenas nuvens. Custa sonhar o real irreal. Por agora, só posso tentar libertar-me desta brisa rafeira que vai desviando os meus pensamentos.
Só queria...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Despedaça-me este pedaço enfermo que me adoece a alma.

Apetece-me fugir daqui. Viver um sonho meu. Largar tudo e todos. Esquecer a existência de qualquer um. Diz ela, Oh não faças isso, digo eu, esquece tudo o que existe!
Viver a morte. Morrer a vida. Preciso de mudança. Preciso de partículas estáveis em mim. Preciso de um composto altamente raro. Preciso de uma reacção bioquímica diferente da minha. Preciso do que precisar.
Estou a escrever o que sinto não ter sentido. Talvez alguém encontre nele o pedaço que guie para fora do destino.
Esfolo esse bicho que há em ti até sair um fluído que transporta o teu precioso oxigénio. Vingo-me da tua amargura inexistente. Pensamentos desorganizados que me limpam a poeira. Ó poeira que vagueias no meu campo de visão. Diz ela, não é nada do que parece, viro-lhe a cara e grito, o que não parece é o que me salta à vista.
Aperto-te o coração. Pergunto-te, que vais fazer sem teres ninguém para te contrair e descontrair a tua maquinaria vital, olhas-me com um ar assustador e gritas por alguém. Não quero ser alguém. Quero ser todo o alguém. Fujo de mim. Largo-me em poços fundos sem restos vitais. Grita-me a alma fecundada pela desgraça.
Apetece-me escrever estas coisas não ditas. Sinto-me como um peixe no anzol que tu buscas para te alimentar. Faço parte da tua teia alimentar. Não quero ser algo alimentar. Apodrece no teu próprio ácido que expeles por essas guelras que lixam tudo o que tu arrastas para lá dentro!
Não quero parar de dizer coisas que não passam pela minha parte racional. Rasga-me a pele! Retira-me a tua sujidade dos meus vasos sanguíneos.
Dizes-me, fui apenas eu, farto-me de rir na tua cara, apenas não chega. Exorcita-me a lama da tua sífilis. Esfola a tua pele no arame farpado que te ofereci. Não digas que não. Aceita. Foi com a melhor das intenções.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"I hear you're asking all around if I am anywhere to be found"

Grito palavras silenciosas que ecoam na minha cabeça cheia de pensamentos. Dói-me! Mas como é que o silêncio das palavras doem quando ecoam? Dói-me! Será por perceber que por mais eco que exista mais solidão há? Dói-me...
Já não me dói.
Grita ao meu ouvido! Não, sussurra-me perto da alma! Não... Esquece lá. Esquece de gritar ao meu ouvido, de sussurrar-me perto do coração e esquece de dizer algo. Espera... Esqueci-me de algo. Esqueci-me de dizer que... Sim, pode ser.
Eu não me esqueço de nada! Afinal esqueci-me de te perguntar se sabes quem sou. Sabes quem sou? ESQUECE! Comecei a esquecer de tudo, até de mim... Porquê? Não sei...
Acho que... Dói-me...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Esperar-te...

Incomoda-me o facto de, todas as vezes que vejo as horas, reparar que o ponteiro dos segundos não bate certo com os traços dos minutos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Arranca-me a pele...

Por vezes não tenho controlo no que digo, digo tais palavras que não têm cabimento em sítio nenhum. Digo palavras que não queria utilizar ou, então, palavras com um significado demasiado forte para o que queria dizer.
Por vezes não tem mal, mas hoje abusei... Hoje abusei em demasia!
Não foi por mal, exaltei-me e disse as coisas de tal forma bruta que não era o que pretendia. Não era essa a minha intenção, não o era...
Agora? Agora dói-me, esta dor penetra-me na alma de tal forma que só me apetece acabar com este corpo. Retirar as memórias dolorosas que causei em todas as pessoas.
Por vezes olho-me ao espelho e vejo o Diabo em mim. Gostava de dizer que é só impressão minha, mas há vezes que oiço um demónio a rir-se atrás de mim...
Desculpem-me... Desculpa!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Irreconhecível

Começo a olhar-me ao espelho. Procuro os meus olhos, os meus lábios, o meu rosto e encontro-os.
Procuro no interior do meu olhar e nos poros da minha face a minha essência, procuro e continuo a procurar. E, subitamente, deixo de me conhecer. Deixo de saber o inquestionável e perco a noção de quem sou e de onde estou. Até que, sem crer nas minhas palavras, chego a duvidar da minha existência.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Por detrás dos olhos...

"A luz bate-me na cara e fecho os olhos. O tempo sinto-o agora como algo sólido que existe mais do que tudo, me roça a alma. Uma pequena alegria, frágil como a flor azul, nasce em mim causando um ligeiro arrepio que sinto percorrer o meu corpo todo."    in Quase gosto da vida que tenho, Pedro Paixão.

"Tudo fica mesmo quando acabou."

Desejei que fosse a ultima gota.
Pensei para mim:
são só assombrações da tua mente.
Pensei... Talvez pensei,
mas, por vezes, penso que seja mais do que pensar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Batimentos

Há dias em que o silêncio prevalece em mim e, então, perguntas-me se perdi a voz.
Nessa altura penso para mim: "Estou mudo porque todas as palavras te escutam."

Renascimento

"Quando a noite cai no azul longínquo, as sombras sabem que espero por ti."