Apetece-me fugir daqui. Viver um sonho meu. Largar tudo e todos. Esquecer a existência de qualquer um. Diz ela, Oh não faças isso, digo eu, esquece tudo o que existe!
Viver a morte. Morrer a vida. Preciso de mudança. Preciso de partículas estáveis em mim. Preciso de um composto altamente raro. Preciso de uma reacção bioquímica diferente da minha. Preciso do que precisar.
Estou a escrever o que sinto não ter sentido. Talvez alguém encontre nele o pedaço que guie para fora do destino.
Esfolo esse bicho que há em ti até sair um fluído que transporta o teu precioso oxigénio. Vingo-me da tua amargura inexistente. Pensamentos desorganizados que me limpam a poeira. Ó poeira que vagueias no meu campo de visão. Diz ela, não é nada do que parece, viro-lhe a cara e grito, o que não parece é o que me salta à vista.
Aperto-te o coração. Pergunto-te, que vais fazer sem teres ninguém para te contrair e descontrair a tua maquinaria vital, olhas-me com um ar assustador e gritas por alguém. Não quero ser alguém. Quero ser todo o alguém. Fujo de mim. Largo-me em poços fundos sem restos vitais. Grita-me a alma fecundada pela desgraça.
Apetece-me escrever estas coisas não ditas. Sinto-me como um peixe no anzol que tu buscas para te alimentar. Faço parte da tua teia alimentar. Não quero ser algo alimentar. Apodrece no teu próprio ácido que expeles por essas guelras que lixam tudo o que tu arrastas para lá dentro!
Não quero parar de dizer coisas que não passam pela minha parte racional. Rasga-me a pele! Retira-me a tua sujidade dos meus vasos sanguíneos.
Dizes-me, fui apenas eu, farto-me de rir na tua cara, apenas não chega. Exorcita-me a lama da tua sífilis. Esfola a tua pele no arame farpado que te ofereci. Não digas que não. Aceita. Foi com a melhor das intenções.
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