terça-feira, 13 de novembro de 2012

Searching for Answers with the Conscience

"Como te sentes?"
"Coiso."
"Esse teu coiso é bastante expressivo..."
"Que queres que diga? Sinto-me como sempre, não sei. Talvez tenha saudades."
"Saudades?! De quem? De quem te deixou ir embora?"
"Não tenho saudades de alguém, tenho saudades de me sentir diferente de como me sinto agora."
"Nunca estás contente como estás, até mete dó!"
"Isso não é bem verdade, houve certos momentos da vida que me senti bem comigo próprio e com a vida..."
"Pois, pois... És sempre a mesma coisa. Já reparaste na tua vida? Andas sempre nas mesmas voltas, lá vais aprendendo umas coisas, amadurecendo ali e acolá, mas a tua vida parece um ciclo vicioso."
"Cala-te! Começo a fartar-me das limitações que me dás."
"Tu é que me deste essas ordens, lembraste?"
"Infelizmente."
"Porque não mudas isso?"
"Tenho medo do que a mudança possa trazer."
"Tu é que sabes..."
"Que faço?"
...
Silêncio

sábado, 13 de outubro de 2012

A curse

     Fecho os olhos. Sons, barulhos, ruídos e um som de fundo. São passos. Oiço-os cada vez mais alto, mais intensos, mais perto. Caio para trás como uma árvore cai depois de ser abatida, rígida, solida e apenas numa direcção. De braços estendidos no ar, ali fico, imóvel, perdido em sentidos, rodeado de pensamentos, perdendo, por fim, a força nos braços.
     Abro os olhos e mais sons me invadem. Uma música de fundo. Sinto-me a arrepiar até lacrimejar involuntariamente. Apetece-me sair da cama e acabo por cair dela mesmo, agora estendido no chão aborrece-me levantar. Cansado. Exausto.
     Alguém abre a porta do quarto, mas nada vejo do outro lado da porta. Lanço os punhos em direcção dos olhos para esfrega-los, acabo por me magoar. Continuo a não ver ninguém do outro lado, estarei perdido em ilusão? Estarei em estado paranóico? Não quero entrar em pânico. Sinto os batimentos cardíacos a acelerarem numa velocidade exponencial. Agarro-me ao chão. Frio. Está frio. Um aperto no coração. Vazio.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tonight

     Abraça-me e olha para o céu. Todas as estrelas ao nosso redor, e nós sozinhos, abraçados, sentidos. Sentes-te bem?
     Deixa-me apoiar a cabeça no teu ombro. Esse teu cheiro faz-me levitar, agarrando-te com mais força. Sabes quanto tempo quero estar aqui contigo? Nenhum. Isto, porque me apetece que o tempo pare, que as estrelas fiquem sempre a ver-nos e que a lua, enorme e brilhante, ilumine esse arco labial perfeito.
     Continuar a ver as estrelas no céu através dos teus olhos. Sabes o quão bonitos eles são quando me olhas a lacrimejar? Aperta-me a mão e repousa a outra no meu peito. Sente! Cada batida, cada aceleração, podem chamar a isto um fenómeno fisiológico, eu chamo a isto magia. Esta noite é mágica. Como ruído de fundo oiço um som suave e delicado a sussurrar «Don't you let me go, let me go tonight. Don't you let me go, let me go tonight.». Agarra-te mais a mim. Sente-me.
     Toco com os meus lábios nos teus. O frio dos meus são agora calor teu, calor meu, a aura de calor à nossa volta. Não me olhes assim com esse cinzento brilhante dos teus olhos, enrolo-me à volta do teu pescoço. Beijos te dou pelo pescoço todo, sussurras-me o som suave que ouvimos à minutos atrás. «Never. Never... I'll never let you go.».

sábado, 23 de junho de 2012

Shoulder To Shoulder

     Enquanto Heinrich vagueava, por volta das 1:27am, pelas ruas de Hamburg à procura do radical, da adrenalina, do furor duma noite bem passada, Amalie vivia noites de horrores à procura do sentido da vida que estava a viver, de tudo o que passou, tudo o que ficou e o que não poderia voltar.
     Enquanto Heinrich esquecia-se por momentos os seus stresses, problemas e arrependimentos com a bebida, Amalie esquecia-se por momentos quem lhe quis e fez bem com os seus pensamentos auto-destrutivos.
     Amalie já não sabia o que era amar, muito menos sabia ela o que era ser amada. Passara toda a sua vida preocupada em tentar construir os seus sonhos, a tentar não cometer erros e a tentar ser alguém respeitada e a ser um ponto de referência, mas tudo o que ela sentia era tudo menos o que desejava. Em baixo de lençóis sujos da sua depressão.

     Quando Heinrich chegou a casa, tinha encontrado uma casa fria, sem brilho e sem vida, um bilhete na mesa dizia tudo:


Não consigo mais viver assim. Perdida em desmotivação por ver a minha vida ter um rumo que sempre tive pavor de seguir. Perdida em pensamentos que até me sufocam a fome, morrendo internamente com uma overdose de pensamentos. Tentei lutar por tudo, tentei seguir todos os sonhos e vontades. Mas sabes algo? Com isso tudo esqueci de sentir o coração, esqueci de sentir o sangue a correr pelas veias. E não, a culpa não é tua. Eu poderia ter dito isto mais cedo, eu poderia ter dito o que se passava comigo. Eu podia, mas não fiz. Peço desculpa, mas não consigo mais. Tenho medo disto.

     Heinrich correu logo em direcção do quarto em busca das coisas pessoais de Amalie no quarto, mas tudo estava lá, excepto a vida de Amalie que se desprendera do seu corpo enrolado nos lençóis comido pelo ácido dos garrafões vazios à beira daquele corpo que fora dos mais esbeltos da zona e que agora apenas era agonia.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Embracing emptiness


     Um mundo confuso sem palavras metidas no vazio. E, enquanto te olho nos olhos, vejo nas minhas lágrimas memórias já passadas, mas que, no entanto, estão até hoje presentes em mim. Apetece-me sair para fora deste quarto e encontrar um sentido. Apenas um sentido que mude tudo.
     Ombros inexistentes, deixa-me chorar em cima de ti, libertar todo o meu medo enquanto fico agarrado a ti. Não tenho palavras. Todos ouvem as palavras dos outros.
     Não me quero sentir perdido. É um medo que me consome, mas é tarde, demasiado tarde. Sinto-me perdido em nada, em tudo. Não me encontro, alguém que me ajude. Preciso, preciso de ter o que preciso.
     Uma lágrima, uma esperança, onde estão vocês? Perdido no escuro avassalador. Sim, estou aqui sem luz e sem me poder movimentar. Perdido em um poço, estou sem forças. Não quero, não quero. Eu simplesmente não quero. Não quero viver algo sem sentido. Dói-me bastante.
     Não quero perder as forças. Não quero ser fraco. Não quero cair de novo, já caí demasiado. Não, por favor não.
     Lágrimas? Vale a pena? Não sei, mas apetece-me ter companhia. Abraça-me eternamente. Silêncio...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Passos

      Chamo-me Michael Kahsnitz e tenho trinta e dois anos. Não tive uma infância. Mentira. Eu até tive, mas esqueci-me dela quando me apercebi da vida que fui obrigado a ter. Não tive mais nada sem ser preocupações e receios. Receio de ter medo. Não sei que faço aqui. Perdido no além da outra cidade tive que mudar de local e esquecer quem fui. Esqueci-me da minha identidade. Fui feito para lutar pelas minhas coisas e pela minha independência, para ser guerreiro e ultrapassar todos os obstáculos. E cada dia esperei que fosse uma vitória e que sempre fosse possível uma mudança que valesse a pena o pisar de asfalto fervido.
      Chamo-me André qualquer coisa e estou quase a fazer vinte anos. Não sei se este é o meu verdadeiro nome e já não sei contar a minha idade pelos dedos da minha mão. Será que um dia fui capaz de o fazer? Gostava de me recordar, mas tudo o que recordo é chuva até três mãos completas. Tenho o meu olhar perdido no nada. Lembro-me vagamente do que me dizias. Por acaso até me recordo da maioria, mas não me apetece recordar mais. Faz-me ter saudades de algo que ficou para trás. Se calhar foi o nosso destino. Nunca soubeste dizer um olá, querias que eu tivesse essa missão, pelo outro lado dizias sempre adeus, ou pelo menos saías e era como um adeus silencioso. Não quero ter saudades disso. Mas ontem recordei-me de ti, talvez aquele filme  tivesse sido o nosso. Tu morreste após cinco anos sem explicação. É triste quando isso acontece.
      Chamo-me Ricardo, nunca soube a origem do nome, mas não me recordo se tenho onze ou doze anos. Marcaste-me por dias seguintes e fugiste. Não consigo olhar na tua cara ainda hoje. Mudaste a minha forma de ser, as minhas atitudes. Comporto-me como uma pedra à frente de muita gente. Como aquela pedra que me atiraste à cabeça naquele dia. Essa pedra redonda que julgava-se não fazer mal a ninguém, mas que afinal de contas causou alguns estragos. Um dia irei ultrapassar isso e esquecer-me de tudo o que se passou. Talvez seja um passado apagado, mas possivelmente será uma preparação para o futuro. Uma pré-preparação do que está por vir. Podemos não mudar algumas coisas, mas a experiência é algo que se adquire com o tempo. Felizmente.