domingo, 17 de abril de 2011

Permanente desconhecimento

Sou cego, porque tenho olhos. Mudo, porque vendi palavras. E surdo, porque me tranquei neste quarto.
Morto me encontro aqui deitado na cama desfeita e no caos que me rodeia. Quero um significado.
Houve um dia que me chamaram de fraco. Fiquei sem palavras, pois passei uma vida inteira a lutar a mancha negra dentro de mim e a conformar-me com a dor do consumo do sofrimento. Sinceramente, gostaria de ter sido fraco...
Agora oiço o piano dos meus ouvidos e o violino dos meus dedos, está tudo desincronizado. A vida deixou de ser possível de sincronizar. Dor eterna.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um olhar perdido em desconhecido

Lanço um olhar no horizonte longínquo. Perfez um caminho, um caminho virtual perdido. Baralham-se duas órbitas em círculos atados. Órbitas embaraçadamente desatadas. Sombras dos caminhos entrelaçados.
Uma gota roxa misturada em pó deixado num lugar abandonado. Memórias tristes. Não se percebe o conteúdo.
Sentado numa poltrona solitária verifica-se a ausência de vida. Vida oculta. Por um ocular se invade o invisível desconhecido. O desconhecido, depois de se conhecer, não deixou de ser desconhecido. Incógnita permanente.