sábado, 23 de junho de 2012

Shoulder To Shoulder

     Enquanto Heinrich vagueava, por volta das 1:27am, pelas ruas de Hamburg à procura do radical, da adrenalina, do furor duma noite bem passada, Amalie vivia noites de horrores à procura do sentido da vida que estava a viver, de tudo o que passou, tudo o que ficou e o que não poderia voltar.
     Enquanto Heinrich esquecia-se por momentos os seus stresses, problemas e arrependimentos com a bebida, Amalie esquecia-se por momentos quem lhe quis e fez bem com os seus pensamentos auto-destrutivos.
     Amalie já não sabia o que era amar, muito menos sabia ela o que era ser amada. Passara toda a sua vida preocupada em tentar construir os seus sonhos, a tentar não cometer erros e a tentar ser alguém respeitada e a ser um ponto de referência, mas tudo o que ela sentia era tudo menos o que desejava. Em baixo de lençóis sujos da sua depressão.

     Quando Heinrich chegou a casa, tinha encontrado uma casa fria, sem brilho e sem vida, um bilhete na mesa dizia tudo:


Não consigo mais viver assim. Perdida em desmotivação por ver a minha vida ter um rumo que sempre tive pavor de seguir. Perdida em pensamentos que até me sufocam a fome, morrendo internamente com uma overdose de pensamentos. Tentei lutar por tudo, tentei seguir todos os sonhos e vontades. Mas sabes algo? Com isso tudo esqueci de sentir o coração, esqueci de sentir o sangue a correr pelas veias. E não, a culpa não é tua. Eu poderia ter dito isto mais cedo, eu poderia ter dito o que se passava comigo. Eu podia, mas não fiz. Peço desculpa, mas não consigo mais. Tenho medo disto.

     Heinrich correu logo em direcção do quarto em busca das coisas pessoais de Amalie no quarto, mas tudo estava lá, excepto a vida de Amalie que se desprendera do seu corpo enrolado nos lençóis comido pelo ácido dos garrafões vazios à beira daquele corpo que fora dos mais esbeltos da zona e que agora apenas era agonia.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Embracing emptiness


     Um mundo confuso sem palavras metidas no vazio. E, enquanto te olho nos olhos, vejo nas minhas lágrimas memórias já passadas, mas que, no entanto, estão até hoje presentes em mim. Apetece-me sair para fora deste quarto e encontrar um sentido. Apenas um sentido que mude tudo.
     Ombros inexistentes, deixa-me chorar em cima de ti, libertar todo o meu medo enquanto fico agarrado a ti. Não tenho palavras. Todos ouvem as palavras dos outros.
     Não me quero sentir perdido. É um medo que me consome, mas é tarde, demasiado tarde. Sinto-me perdido em nada, em tudo. Não me encontro, alguém que me ajude. Preciso, preciso de ter o que preciso.
     Uma lágrima, uma esperança, onde estão vocês? Perdido no escuro avassalador. Sim, estou aqui sem luz e sem me poder movimentar. Perdido em um poço, estou sem forças. Não quero, não quero. Eu simplesmente não quero. Não quero viver algo sem sentido. Dói-me bastante.
     Não quero perder as forças. Não quero ser fraco. Não quero cair de novo, já caí demasiado. Não, por favor não.
     Lágrimas? Vale a pena? Não sei, mas apetece-me ter companhia. Abraça-me eternamente. Silêncio...