Enquanto Heinrich esquecia-se por momentos os seus stresses, problemas e arrependimentos com a bebida, Amalie esquecia-se por momentos quem lhe quis e fez bem com os seus pensamentos auto-destrutivos.
Amalie já não sabia o que era amar, muito menos sabia ela o que era ser amada. Passara toda a sua vida preocupada em tentar construir os seus sonhos, a tentar não cometer erros e a tentar ser alguém respeitada e a ser um ponto de referência, mas tudo o que ela sentia era tudo menos o que desejava. Em baixo de lençóis sujos da sua depressão.
Quando Heinrich chegou a casa, tinha encontrado uma casa fria, sem brilho e sem vida, um bilhete na mesa dizia tudo:
Não consigo mais viver assim. Perdida em desmotivação por ver a minha vida ter um rumo que sempre tive pavor de seguir. Perdida em pensamentos que até me sufocam a fome, morrendo internamente com uma overdose de pensamentos. Tentei lutar por tudo, tentei seguir todos os sonhos e vontades. Mas sabes algo? Com isso tudo esqueci de sentir o coração, esqueci de sentir o sangue a correr pelas veias. E não, a culpa não é tua. Eu poderia ter dito isto mais cedo, eu poderia ter dito o que se passava comigo. Eu podia, mas não fiz. Peço desculpa, mas não consigo mais. Tenho medo disto.
Heinrich correu logo em direcção do quarto em busca das coisas pessoais de Amalie no quarto, mas tudo estava lá, excepto a vida de Amalie que se desprendera do seu corpo enrolado nos lençóis comido pelo ácido dos garrafões vazios à beira daquele corpo que fora dos mais esbeltos da zona e que agora apenas era agonia.

