Michael Kraft era um jovem adulto de 26 anos demasiado sério e exigente com a sua vida, tudo o que era demasiado fácil e dado fazia Michael duvidar da verdade de tais cousas. Não aceitava qualquer erro que cometia, tudo tinha de estar bem, tudo tinha que correr como planeado. Michael culpava o seu passado por o tê-lo feito assim. Culpava como quem diz, pois Michael agradecia por ter os princípios que tinha, visto que este era ajuizado e demasiado responsável.
Mas algo se passava com Michael. Ele nunca se tinha dado a conhecer totalmente a alguém, nunca tinha falado do seu passado assombrado e que reencarnava medos nele próprio. Ele sempre fugiu do amor para se defender e para não se lembrar de todo o sofrimento que lhe escorreu nas veias durante todo o tempo desde que nasceu.
Um dia, enquanto tentava organizar os seus pensamentos, a descer o seu prédio, embateu numa vizinha nova que se estava a mudar para um apartamento no seu prédio, fazendo com que a caixa que a jovem transportava caísse e deixasse o seu conteúdo aguar-se pelo chão frio do prédio. Michael, antes de pedir perdão pelo sucedido, começou logo a arrumar o caos que tinha causado. Mas algo lhe prendeu a atenção quando apanhou um livro do chão. "Abre o teu coração" era o titulo do livro, ficou imóvel a olhar para o título, do nada começara a sentir uns calafrios a petrificar-lhe o corpo e todo o seu desejo foi transportado pela sensação de um dia ser feliz junto a alguém.
A jovem sem saber o que se passava e sem saber o que dizer, rematou algo impensado:
- O amor nunca morre.
Michael ouvira o que a jovem dissera, mas não sabia que responder, tudo aquilo parecia levar eternidades.
- Hãn?! Desculpe?
- Hmm... Hmm... Peço des-desculpa... - A jovem não sabia que dizer, todas as palavras se atropelavam uma à outra, tinha dito algo que parecia disparatado, mas que de facto tinha explicação. - Peço desculpa se não me dei bem a entender. Mas a frase que citei é uma frase que aparece no final e, que no meu ponto de vista, resume esse livro, além de ser uma frase que marca qualquer pessoa. Se quiser posso emprestá-lo para ler.
- Peço desculpa por ter causado este caos. Aliás, peço desculpa por ainda não me ter apresentado. Chamo-me Michael, prazer.
- Stefanie, mas trate-me por steffi. Sou nova aqui nesta cidade.
- Se precisar de um guia ou ajuda em algo que possa ser útil avise-me, o meu apartamento é o zero seis. - proferiu o número do seu apartamento como se nunca tivesse dito antes, talvez porque Michael não fosse muito dado a levar pessoas para o seu apartamento.
Steffi era uma jovem de 25anos de cabelos castanhos alourados e de olhos cor de couro e de esmeralda preciosa. O seu movimento era agilmente suave, o seu olhar delicado, mas perceptivo, e a sua forma de ser que mostrava era demasiado serena para se acreditar.
E tudo o que não sabiam é que aquele acontecimento bastara para entrelaçar os seus destinos. Pois, passado uns anos, já não existia o zero seis, em vez disso, existia uma vivenda com um letreiro em bronze que indicava ser a Vivenda Kraft, onde Michael perdia-se com o mel dos olhos de Steffi a percorrerem a nuvem de tensão da paixão entre os dois.
Tudo era diferente. Nada era igual. Michael combatera todo o seu passado ao lado de alguém que lhe apoiou e o conheceu por si própria. Michael tinha encontrado o seu verdadeiro eu junto de alguém. Michael voltara a ser a pessoa livre e tranquila de quando veio ao mundo e viu a sua mãe pela primeira vez.
Michael era feliz até saber que o seu apelido não era Kraft, que não tinha 26 anos e que afinal só tinha acabado de sair de coma devido à sua falta de sorte. Mas algo permaneceu.

Sem comentários:
Enviar um comentário