Numa cidade, onde as pessoas só sabiam especular sobre a vida dos outros, um rapaz escrevia os seus momentos, tristezas e etapas da vida, saberia que se continuasse assim nunca mais iria parar de escrever tudo o que se passava à sua volta e lhe «flechasse» em cheio. Pegou nos papéis, alinhou tudo e, quando estava prestes a guardar, cai-lhe, de repente, uma gota de sangue que parece integrar-se naquele papel, o papel começa a despedaçar-se folha a folha, deixando-a em pedaços minúsculos. Uma forte brisa entra pela janela e espalha todos aqueles pedaços de papel, levando alguns consigo.
O rapaz ajoelha-se e, perdido no vazio, não sabe no que pensar. Nesse momento, todos os detalhes lhe saltam à vista, o tic-tac mais forte do relógio da parede, o tic-tac mais agudo do relógio de pulso, o piscar das horas na aparelhagem por concertar ainda. E é assim que passa mais um dia da sua vida no vazio.
Quando se levanta só deseja sair dali, fugir dali e nunca mais regressar, mas, contrariando um pouco o seu desejo, pega na sua agenda e abre-a pela contracapa, lê o titulo da página "Notas", nesse mesmo instante pega na caneta e risca a palavra escrevendo em baixo "Ódios". Repensa no que escreveu e começa a sentir algum arrependimento, pensa que ódios é uma palavra desnecessária e que existem palavras melhores, mas continua o que estava a fazer e escreve a lista. Quando acaba de escrever a lista, o rapaz relê. A lista começa com a palavra "aqui", passa por "esperar" e acaba com "arrependimento". Sente-se satisfeito por desabafar indirectamente, mas, subitamente, floresce-lhe uma certa angústia e raiva naquilo que acaba de escrever. O rapaz rasga a folha da agenda e machuca-a. Não quer deitá-la para o caixote do lixo, pois tem medo do destino que ela possa ter. Em vez disso, queima-a e enterra as cinzas no quintal. Olha para o céu e pede, silenciosamente, chuva. Não chove. Já era de esperar.
O rapaz, agora em casa, a olhar pela janela, despede-se antecipadamente da sua vida naquele local.
O rapaz ajoelha-se e, perdido no vazio, não sabe no que pensar. Nesse momento, todos os detalhes lhe saltam à vista, o tic-tac mais forte do relógio da parede, o tic-tac mais agudo do relógio de pulso, o piscar das horas na aparelhagem por concertar ainda. E é assim que passa mais um dia da sua vida no vazio.
Quando se levanta só deseja sair dali, fugir dali e nunca mais regressar, mas, contrariando um pouco o seu desejo, pega na sua agenda e abre-a pela contracapa, lê o titulo da página "Notas", nesse mesmo instante pega na caneta e risca a palavra escrevendo em baixo "Ódios". Repensa no que escreveu e começa a sentir algum arrependimento, pensa que ódios é uma palavra desnecessária e que existem palavras melhores, mas continua o que estava a fazer e escreve a lista. Quando acaba de escrever a lista, o rapaz relê. A lista começa com a palavra "aqui", passa por "esperar" e acaba com "arrependimento". Sente-se satisfeito por desabafar indirectamente, mas, subitamente, floresce-lhe uma certa angústia e raiva naquilo que acaba de escrever. O rapaz rasga a folha da agenda e machuca-a. Não quer deitá-la para o caixote do lixo, pois tem medo do destino que ela possa ter. Em vez disso, queima-a e enterra as cinzas no quintal. Olha para o céu e pede, silenciosamente, chuva. Não chove. Já era de esperar.
O rapaz, agora em casa, a olhar pela janela, despede-se antecipadamente da sua vida naquele local.

Gostei André =)
ResponderEliminarEstou a seguir.